Livro: Papeis Avulsos de Machado de Assis | Baixar grátis

 Livro: Papeis Avulsos  de Machado de Assis 

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MACHADO DE ASSIS
PAPEIS AVULSOS
O ALIENISTA—THEORIA DO MEDALHÃO
A CHINELA TURCA
NA ARCA—D. BENEDICTA—O SEGREDO DO BONZO
O ANNEL DE POLYCRATES
O EMPRESTIMO—A SERENISSA REPUBLICA
O ESPELHO
UMA VISITA DE ALCIBIADES—VERBA TESTAMENTARIA
RIO DE JANEIRO
Typographia e Lithographia a vapor, Encadernação e Livraria
LOMBAERTS & C.
7—Rua dos Ourives—7
1882
INDICE

OBRAS DO AUTOR
Memorias Posthumas de Braz Cubas
Papeis Avulsos
Helena
Yayá Garcia
Ressurreição
A mão e a luva
Historias da meia noite
Contos Fluminenses
Americanas
Phalenas
Chrysalidas
Tu só, tu, puro amor

ADVERTENCIA
Este titulo de Papeis avulsos parece negar ao livro uma certa unidade; faz crer que o autor colligiu varios escriptos de ordem diversa para o fim de os não perder. A verdade é essa, sem ser bem essa. Avulsos são elles, mas não vieram para aqui como passageiros, que acertam de entrar na mesma hospedaria. São pessoas de uma só família, que a obrigação do pae fez sentar á mesma mesa.

Quanto ao genero delles, não sei que diga que não seja inutil. O livro está nas mãos do leitor. Direi sómente, que se ha aqui paginas que parecem meros contos, e outras que o não são, defendo-me das segundas com dizer que os leitores das outros podem achar nellas algum interesse, e das primeiras defendo-me com S. João e Diderot. O evangelista, descrevendo a famosa besta apocalyptica, accrescentava (XVII, 9): "E aqui ha sentido, que tem sabedoria." Menos a sabedoria, cubro-me com aquella palavra. Quanto a Diderot, ninguem ignora que elle, não só escrevia contos, e alguns deliciosos, mas até aconselhava a um amigo que os escrevesse tambem. E eis a razão do encyclopedista: é que quando se faz um conto, o espirito fica alegre, o tempo escoa-se, e o conto da vida acaba sem a gente dar por isso.

Deste modo, venha donde vier o reproche[1], espero que dahia mesmo virá a absolvição.

Machado de Assis

Outubro de 1882.

[1]Cerca de dous annos para cá, recebi duas cartas anonymas, escriptas por pessôa intelligente e sympathica, em que me foi notado o uso do vocabulo reproche. Não sabendo como responda ao meu estimavel correspondente, aproveito esta occasião.

Reproche não é gallicismo. Nem reproche nem reprochar. Moraes cita, para o verbo, este trecho dos Ined. II fl. 259: "hum non tinha que reprochar ao outro;" e aponta os logares de Fernando de Lucena, Nunes de Leão e D. Francisco Manoel de Mello, em que se encontra o substantivo reproche. Os hespanhoes tambem os possuem.

Resta a questão de euphonia. Reproche não parece mal soante. Tem contra si o desuso. Em todo caso, o vocabulo que lhe está mais proximo no sentido, exprobração, acho que é insupportavel. Dahi a minha insistencia em preferir o outro, devendo notar-se que não o vou buscar para dar ao estylo um verniz de extranheza, mas quando a ideia o traz comsigo.
Os Trabalhadores do Mar  Autor: Victor Hugo  Tradutor: Machado de Assis



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Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16

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