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Poema sobre a Dança do Ventre por Cruz e Sousa

DANÇA DO VENTRE


 Torva, febril, torcicolosamente,
 Numa espiral de elétricos volteios,
 Na cabeça, nos olhos e nos seios
 Fluíam-lhe os venenos da serpente.

 Ah! que agonia tenebrosa e ardente!
 Que convulsões, que lúbricos anseios,
 Quanta volúpia e quantos bamboleios,
 Que brusco e horrível sensualismo quente.

 O ventre, em pinchos, empinava todo
 Como reptil abjeto sobre o lodo,
 Espolinhando e retorcido em fúria.

 Era a dança macabra e multiforme
 De um verme estranho, colossal, enorme,
 Do demônio sangrento da luxúria! 

Cruz e sousa
Broquéis

Ventre


Dança do Ventre de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia)



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