Introdução
A divindade de Jesus Cristo
Essa é uma verdade absoluta que sustenta a nossa fé. O próprio Senhor nos adverte de forma solene em João 8:24: "...pois, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados". Mas como podemos ter a plena certeza de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:13, 14-17)?
Uma das maneiras mais poderosas de estabelecer a divindade de Jesus é por meio dos milagres reais que Ele realizou.
O sinal mais impressionante registrado no Evangelho de João: a ressurreição de Lázaro (João 11). Este é um evento espiritualmente comovente e edificante que demonstra de forma definitiva o poder do Filho de Deus.
Significado do Nome Lázaro
O nome Lázaro significa "Deus tem ajudado". Ele morava em Betânia, a cerca de três quilômetros de Jerusalém, com suas irmãs, Marta e Maria (João 11:1, 18).
Aquela casa era um refúgio onde Jesus gostava de ir para descansar e ter comunhão, pois Ele mantinha um relacionamento muito especial e amava profundamente aquela família (João 11:3, 5).
Através deste milagre, aprenderemos sobre os propósitos de Deus na dor, a soberania de Cristo sobre a morte e o chamado à fé.
1. O Propósito da Doença e o Atraso Providencial
O relato bíblico começa nos mostrando que Lázaro de Betânia estava gravemente doente (João 11:1-3). Maria, irmã de Lázaro, é especificamente identificada no texto como aquela que mais tarde ungiu o Senhor com unguento (João 11:2), uma marca de devoção gravada na memória dos discípulos.
Preocupadas com a gravidade da situação, as irmãs enviaram uma mensagem urgente a Jesus, que se encontrava "além do Jordão" (João 10:40). A mensagem continha apenas oito palavras de profunda confiança: "Senhor, eis que aquele a quem amas está doente" (João 11:3).
Muitas vezes não compreendemos o propósito dos eventos dolorosos da vida. No entanto, Jesus faz uma das declarações mais marcantes das Escrituras em João 11:4:
“Esta doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.”
A doença de Lázaro resultaria em uma morte inquestionável, mas a morte não seria o resultado final permanente. Nunca se teve a impressão, a partir dos ensinamentos de Jesus, de que a doença é sempre ruim. Longe disso, ela pode ser benéfica para manifestar a glória do Pai e fortalecer a fé dos discípulos e dos observadores (João 11:15, 45).
O Atraso de Jesus
Sabendo disso, o texto nos diz que Jesus deliberadamente adiou seu retorno por dois dias (João 11:6). Ele não demorou por indiferença, por falta de amor ou por estar ocupado. Ao adiar o retorno, Jesus teve a oportunidade de fazer mais por Lázaro do que por qualquer outra pessoa em Seu ministério. Se tivesse ido imediatamente, teria apenas curado um enfermo, algo que já havia feito por muitos. Ele esperou propositalmente para realizar um milagre surpreendente.
Quando finalmente decidiu voltar para a Judeia, Seus discípulos o lembraram do perigo de morte que Ele corria ali (João 11:7-8). Jesus então lhes ensinou uma verdade em João 11:9-10: em essência, se um homem andar de acordo com o que sente em seu coração e com o que consegue ver, ele cai nas armadilhas deste mundo; é preciso andar na luz da verdade de Deus. Jesus sabia o que estava prestes a acontecer e que o milagre atrairia a ira definitiva do Sinédrio, mas Ele caminhava na perfeita luz do propósito do Pai.
2. A Morte Física e a Revelação da Vida
Antes de chegar a Betânia, Jesus declarou aos discípulos: "Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertar-lo do sono" (João 11:11). Os discípulos, interpretando de forma literal, acharam que o sono faria bem à saúde dele (João 11:12-13). Diante disso, Jesus teve que ser claro e declarar abertamente: "Lázaro está morto" (João 11:14).
Jesus usou o termo “dorme” para se referir à morte física. Essa era uma alusão familiar nas Escrituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (cf. 2 Samuel 7:12; 1 Reis 1:21; 1 Reis 2:10; Deuteronômio 31:16; Salmo 13:3; 1 Tessalonicenses 4:13-14; Mateus 27:52; Atos 7:60).
A morte dos santos é considerada um sono não porque a alma passe por aniquilação ou inconsciência, mas porque para o salvo o sofrimento, o cansaço e a dor cessaram, restando a certeza do despertar na ressurreição (cf. Lucas 16:19-31).
Ao declarar a morte de Lázaro, Jesus acrescentou: "E alegro-me, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que possais crer" (João 11:15). Diante do perigo iminente na Judeia, Tomé, chamado Dídimo (que significa "gêmeo"), demonstrou seu profundo amor pelo Mestre com uma declaração ousada aos demais discípulos: "Vamos nós também, para morrermos com ele" (João 11:16).
Ao chegar perto de Betânia, Jesus encontrou Lázaro já sepultado há quatro dias (João 11:17, 30). Marta correu ao Seu encontro, enquanto Maria permaneceu chorando em casa (João 11:20). Com fé e simplicidade, Marta disse: "Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus lho concederá" (João 11:21-22).
Jesus consolou-a dizendo: "Teu irmão ressuscitará" (João 11:23). Marta respondeu que sabia que ele ressuscitaria na ressurreição do último dia (João 11:24; cf. Jó 19:25-26; Salmo 49:15). Foi nesse momento que Jesus pronunciou uma de Suas maiores declarações de divindade:
“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isto?” (João 11:25-26; cf. Jó 14:13)
Marta respondeu firmemente: "Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo" (João 11:27). Se ela cria na identidade d'Ele, não haveria dificuldade em crer no Seu poder sobre a morte.
Depois disso, Marta chamou Maria secretamente, sendo discreta porque a casa estava cheia de judeus que choravam e que não eram amigos de Jesus (João 11:28). Ao ouvir o chamado, Maria correu e lançou-se aos pés de Jesus — sua posição habitual de devoção (João 11:29, 31-32).
Ao ver o pranto de Maria e dos que estavam com ela, Jesus ficou interiormente e profundamente comovido. O texto diz que "ele gemeu em espírito e perturbou-se" (João 11:33).
E logo em seguida, o versículo mais curto da Bíblia expressa a profundidade da Sua compaixão humana e divina: "Jesus chorou" (João 11:35). Ele chorou pela dor de Seus amigos e, talvez, por fazer Lázaro retornar da glória celestial após quatro dias para enfrentar novamente um mundo decaído.
3. O Clamor Vitorioso diante do Túmulo
Ao chegar ao sepulcro, que era uma caverna com uma pedra posta sobre ela, Jesus ordenou: "Tirai a pedra" (João 11:38-39).
Marta, pragmática, alertou o Senhor: "Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias" (João 11:39). O corpo de Lázaro já havia entrado em processo físico de decomposição.
Jesus já havia ressuscitado a filha de Jairo no leito de sua casa (Marcos 5:35-43) e o filho da viúva de Naim em seu caixão a caminho do cemitério (Lucas 7:11-17).
No entanto, não havia registro de uma ressurreição cujo corpo já estivesse apodrecendo.
O Milagre
Jesus repreendeu suavemente a dúvida de Marta, lembrando-a de que a fé precede a evidência: "Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?" (João 11:40).
A pedra foi então removida (João 11:41). Diante de toda a multidão, Jesus levantou os olhos aos céus e orou em voz alta, não por duvidar de Sua capacidade, mas para que todos os presentes compreendessem e cressem que Ele fora enviado pelo Pai (João 11:41-42).
Após orar, Jesus clamou em alta voz com autoridade absoluta:
“Lázaro, vem para fora!” (João 11:43)
E o milagre espantoso aconteceu! Aquele que estava morto saiu da sepultura, tendo as mãos e os pés amarrados com faixas funerárias e o rosto envolto em um lenço (João 11:44). Diferente de Jesus, que dias mais tarde ressuscitaria deixando Suas vestes perfeitamente organizadas no túmulo vazios (cf. João 20:5-7), Lázaro precisou que Jesus ordenasse: "Desatai-o e deixai-o ir" (João 11:44).
O Impacto da Ressurreição
A morte era tão certa e o milagre foi tão definitivo que muitos dos judeus que visitavam Maria e viram o que Jesus fizera creram n'Ele (João 11:45). Por outro lado, os inimigos de Jesus ficaram completamente perplexos e o Sinédrio se reuniu dizendo: "Que faremos? Porquanto este homem faz muitos sinais" (João 11:47).
A dureza de coração deles era tamanha que, conforme registrado em João 12:10-11, os principais sacerdotes consideraram matar também a Lázaro, porque muitos judeus criam em Jesus por causa do testemunho vivo daquele homem ressuscitado.
Conclusão
Meus amados irmãos, a ressurreição de Lázaro demonstra o que é um milagre real, operado às claras e acima de qualquer contestação. Que aqueles que hoje alegam realizar "milagres encobertos ou enganosos" (cf. 2 Tessalonicenses 2:9) tentem ir a um cemitério ressuscitar alguém sabidamente morto e em decomposição! Esse sinal não foi operado para o capricho humano, mas para manifestar a glória de Deus e gerar fé real por meio do testemunho, pois a Palavra de Deus hoje cumpre o propósito de gerar fé em nossos corações (Romanos 10:17; João 20:30, 31).
Para o cristão, este milagre é a prova cabal de que uma ressurreição corporal não é algo difícil demais para o nosso Deus. Como o apóstolo Paulo questionou o rei Agripa cerca de trinta anos mais tarde: "Por que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?" (Atos 26:8).
Jesus descreve Lázaro como “nosso amigo”, demonstrando a proximidade e a importância do relacionamento. Assim como Jesus tinha um vínculo especial com Lázaro, Ele nos chama amigos e deseja estar próximo de nós em todas as circunstâncias da vida.
Jesus declara que a enfermidade de Lázaro não era para morte, mas para a glória de Deus. Muitas vezes, enfrentamos desafios que parecem insuperáveis, mas Deus os usa para revelar Sua glória e fortalecer nossa fé.
Embora Jesus soubesse da gravidade da situação, Ele permaneceu dois dias onde estava. Isso nos ensina que Deus trabalha no tempo perfeito, mesmo quando parece que Ele está atrasado. Ele sempre age com um propósito maior.
Marta, mesmo em meio à dor da perda, expressa fé em Jesus: “Se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.” Sua declaração nos desafia a confiar em Deus, mesmo quando enfrentamos perdas dolorosas.
Jesus faz uma das afirmações mais poderosas do evangelho: “Eu sou a ressurreição e a vida.” Ele nos lembra que, em meio à morte e ao desespero, Ele é a fonte de vida eterna e esperança.
Jesus chorou. Essas duas palavras revelam a profundidade de Seu amor e empatia por aqueles que sofrem. Ele não é indiferente à nossa dor; Ele está conosco em cada momento de sofrimento.
Antes de realizar o milagre, Jesus agradece ao Pai em oração. Isso nos ensina a importância da gratidão e da dependência de Deus em todas as situações, especialmente nos momentos de necessidade.
Com uma simples ordem, Jesus chama Lázaro para fora do túmulo. Isso demonstra o poder absoluto da Palavra de Deus, que pode transformar qualquer situação, por mais impossível que pareça.
Jesus diz a Marta: “Se creres, verás a glória de Deus.” Cada milagre é uma oportunidade para que a glória de Deus seja revelada e que nossa fé seja renovada.
Quando Lázaro sai do túmulo, é uma antecipação da vitória final de Jesus sobre a morte na cruz. Em Cristo, temos a certeza de que a morte não é o fim, mas o início de uma nova vida com Deus.
A história de Lázaro nos ensina que Jesus está presente em nossa dor, trabalha em Seu tempo perfeito, e tem poder para transformar qualquer situação. Ele nos chama a confiar n’Ele como a ressurreição e a vida, e a crer que, mesmo nas adversidades, Deus está revelando Sua glória.