Ide e Fazei Discípulos: 3 Sermões Impactantes sobre Mateus 28:19-20 - A Grande Comissão
Nesta postagens trouxemos três sermões sobre a Grande Comissão. Pregação sobre Mateus 28:19 para pastores e líderes pregarem em suas igrejas com a temática voltada para missões.Como Professor de Homilética e formador de líderes cristãos, tenho desenvolvido estruturas expositivas voltadas à comunicação fiel da missão da Igreja. A missão da Igreja não é um mistério, nem uma sugestão; é um comando imperativo do nosso Senhor ressuscitado. No encerramento do Evangelho de Mateus, Jesus estabelece o que Robert Coleman chama de "O Plano Mestre de Evangelismo". Ele nos ordena:
"Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei." (Mateus 28:19-20)
Hoje, vamos mergulhar no significado profundo dessa Grande Comissão, analisando o que significa realmente "ir", "fazer discípulos" e "ensinar", e por que essa tarefa é a mais urgente da história humana.
PublicidadeSERMÃO 01: O Plano Mestre: Ide e Fazei Discípulos
I. O Significado do "Ide" (Poreuomai)
A palavra grega para "ir" no texto original é Poreuomai. Seu significado vai muito além de um simples deslocamento físico; ela carrega nuances que transformam nossa visão de missão:
• Movimento e Jornada: Significa viajar, proceder, mover-se de um lugar para outro (Lucas 13:33). A missão exige que saiamos da nossa zona de conforto, da nossa "origem", e partamos em direção a um "destino" específico (Atos 1:25; 18:6).
• Uma Missão de Busca: Jesus usa esse termo ao falar do pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para ir buscar a que se extraviou (Mateus 18:12). Ir significa buscar ativamente o que está perdido.
• Um Estilo de Vida: Poreuomai também descreve como alguém se conduz, vive ou se comporta (Lucas 1:6). Portanto, o "ide" de Jesus deve ser um estilo de vida contínuo: enquanto você caminha pela vida, leve a mensagem.
II. A Essência: Fazer Discípulos (Matheteuo)
O coração da Grande Comissão não é apenas pregar ou batizar, mas "fazer discípulos" (Matheteuo).
• O Discípulo é um Aluno: Ser discípulo significa ser um aprendiz, alguém que segue os preceitos e instruções de um mestre. Fazer discípulos é causar em alguém o desejo de ser um pupilo de Cristo, instruindo-os para que se tornem aderentes aos Seus ensinos.
• O Critério de Sucesso: O sucesso de uma igreja não deve ser medido pelo tamanho do orçamento ou pelo número de nomes no rol de membros, mas por quantos cristãos estão ativamente ganhando almas e treinando-as para ganhar outras. O céu não celebra apenas números ou decisões momentâneas; o céu celebra discípulos que se tornam reprodutores da fé.
III. O Método: Ensinar para a Obediência (Didasko)
Para fazer discípulos, Jesus ordena "ensiná-los" (Didasko).
• Influenciar o Entendimento e a Vontade: Ensinar, nas Escrituras, significa passar a verdade sobre a Palavra de Deus com o objetivo de estimular a obediência. Não é apenas despejar informações, mas buscar uma transformação energizada pelo Espírito para que o aluno se torne semelhante a Cristo.
• O Alvo é a Obediência: A essência do discípulo é o aprendizado que afeta o seu ser mais íntimo. O ensino bíblico visa moldar a vontade do aprendiz para que ele obedeça a tudo o que o Mestre ordenou.
IV. Por que a Urgência?
Por que devemos ter o mesmo sentimento de Paulo, que dizia: "Ai de mim se não pregar o evangelho!" (1 Coríntios 9:16)?
1. A Realidade da Perdição: Jesus adverte que a porta é larga e o caminho é espaçoso para a destruição, e muitos entram por ele (Mateus 7:13-14). A maioria das pessoas ao nosso redor está perdida.
2. O Desejo de Deus: O Senhor é paciente e "não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9). Nossa missão é o braço da graça de Deus alcançando o mundo.
3. A Escassez de Trabalhadores: A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos (Mateus 9:37-38). Há uma urgência crítica por pessoas dispostas a ir.
4. A Alegria Celestial: Quando ensinamos os perdidos e eles se arrependem, todo o céu se regozija (Lucas 15:7, 10). Cada alma resgatada é motivo de festa eterna.
Conclusão
Os apóstolos declararam com fervor: "Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido" (Atos 4:20). Eles foram tão transformados pelo Mestre que o silêncio era impossível.
A Grande Comissão é o chamado para construirmos pessoas que, constrangidas pelo amor de Cristo, não apenas O sigam, mas liderem outros a segui-Lo também. Que possamos assumir nossa responsabilidade de sermos luz no caminho estreito, trabalhadores na colheita e fazedores de discípulos em todas as nações.
Ide, pois é ordem do Rei. Fazei discípulos, pois é o plano do Mestre.
SERMÃO 02: O QUE ACONTECE SE NÃO CUMPRIRMOS O IDE?
Introdução
Muitos irmãos, se fossem honestos, perguntariam: "Por que tanto esforço com o evangelho?". Vivemos em uma época em que o trabalho parece árduo e os resultados visíveis são poucos. Por que manter essa preocupação constante? A resposta reside no fato de que o evangelismo não é uma opção para a igreja; é uma questão de vida ou morte — tanto para quem ouve quanto para quem deveria falar.
I. A Questão da Obediência ao Senhor
Devemos IR, antes de tudo, porque o nosso Senhor não nos deu uma sugestão, mas uma ordem direta.
• A Missão dada por Cristo: Jesus foi claro ao comissionar Seus seguidores em Mateus (28:18-20) e Marcos (16:15-16). Ele ordenou que o arrependimento e a remissão de pecados fossem pregados a todas as nações, começando por Jerusalém (Lucas 24:46-47).
• Prova de Amor: A igreja primitiva não encarou isso com leviandade. Eles entenderam que obedecer a Cristo é a prova definitiva de amor por Ele. "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14:15). Dizer "Senhor, Senhor" e não fazer o que Ele ordena é uma religiosidade vazia (Mateus 7:21).
II. A Natureza das "Boas Novas"
O Ide é compartilhar algo maravilhoso que recebemos. O termo "Evangelho" significa, literalmente, "boas notícias".
• O Poder do Ide na Alma: Através dele, as pessoas recebem o perdão dos pecados (Atos 2:38) e uma nova alegria que transborda em comunhão (Atos 2:46-47). Ele oferece uma razão para viver e uma confiança absoluta diante da morte, como vimos no testemunho dos primeiros mártires.
• O Desejo de Compartilhar: Quando alguém recebe uma notícia que muda sua vida para melhor, é natural querer contá-la. O amor de Cristo nos constrange a não vivermos mais para nós mesmos, mas para Aquele que por nós morreu e ressuscitou (2 Coríntios 5:14-15, 20).
III. O Perigo da Omissão Diante de um Mundo Perdido
A falta é uma tragédia humanitária espiritual. O mundo está perdido e a igreja possui o único antídoto.
• A Condição dos Perdidos: As Escrituras são severas sobre o destino daqueles que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho: eles sofrerão a pena de eterna destruição (2 Tessalonicenses 1:7-9; Marcos 16:16).
• O Único Caminho: O Evangelho é o poder de Deus para a salvação (Romanos 1:16). Não existe "plano B".
• A Necessidade do Ouvir: Como as pessoas invocarão Aquele em quem não creram? E como crerão se não há quem pregue? (Romanos 10:14-17). O silêncio da igreja é o bloqueio do caminho da salvação para o próximo.
IV. A Autodestruição do Cristão que não Evangeliza
O impacto de não evangelizar recai sobre a própria igreja e sobre o cristão individualmente. Você não precisa cumprir o Ide em outras nações, mas deve agir em seu redor
• Pecado de Omissão: Desrespeitar uma ordem de fazer o bem é tão errado quanto praticar um ato proibido. "Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tiago 4:17). Paulo sentia esse peso ao dizer: "Ai de mim se não anunciar o evangelho!" (1 Coríntios 9:16).
• A Missão do Mestre: Buscar e salvar o perdido foi a missão que consumiu toda a atenção de Jesus (Lucas 19:10). O servo que não se envolve na obra do seu Senhor está desconectado d'Ele.
• A necessidad de frutificar: Jesus advertiu que todo ramo que não dá fruto é tirado e lançado ao fogo (João 15:1-2). Dar frutos (ganhar almas) deve ser uma parte natural da vida cristã, assim como a videira produz uvas naturalmente (2 Coríntios 4:13).
Conclusão
O custo do silêncio é alto demais: almas perdidas no mundo e cristãos atrofiados e infrutíferos dentro dos templos.
O Ide não é um peso, é o transbordar de uma fé viva. Que possamos retomar a urgência de buscar o que estava perdido, pois nisto reside a nossa maior honra e o nosso próprio sustento espiritual.
SERMÃO 03: Tornando-se um Instrumento Vivo de Cristo
Texto Base: Mateus 28:18-20; Marcos 16:15; Marcos 10:44-45
Introdução
O ministério cristão não é um cargo administrativo ou um emprego comum; é uma vocação. É a resposta de um coração que confia em Deus, luta pela santidade e decide viver para os outros. No plano mestre de Deus, Ele escolhe homens e mulheres para serem "pontes vivas" entre o céu e a terra, representantes da humanidade perante Deus e de Deus perante a humanidade (Hebreus 5:1).
Hoje, concluiremos nossa reflexão sobre o discipulado focando naqueles que Deus separa para a liderança e para a obra missionária — os instrumentos que Ele usa para levar Jesus às pessoas e as pessoas a Jesus.
I. A Autoridade de Cristo: O Fundamento do Ide
Antes de dar a ordem para ir, Jesus estabeleceu Sua credencial: "Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra" (Mateus 28:18).
• Uma Autoridade Provada: Jesus já havia demonstrado autoridade para perdoar pecados, curando o paralítico para mostrar que o pecado é o que nos paralisa espiritualmente. Ele teve autoridade sobre a morte ao ressuscitar a menina, e sobre Satanás ao vencê-lo no deserto pela Palavra.
• Uma Autoridade Conquistada: Essa autoridade plena foi confirmada por Sua obediência total até a morte e ressurreição. Por isso, Deus O exaltou soberanamente (Filipenses 2:9-11). Todo joelho deve se dobrar diante dEle. É sob esta autoridade suprema que o vocacionado marcha. Não vamos em nosso nome, mas no nome dEle.
II. Sinais e Qualificações
O mandato de pregar o Evangelho a toda a criação (Marcos 16:15) é para todos, mas há um chamado específico para a obra missionária transcultural e para o ministério ordenado.
1. Qualificações Essenciais: O vocacionado deve possuir fé e amor por Cristo, bom caráter moral, equilíbrio emocional e um profundo hábito de oração. Ele deve desenvolver um "espírito de desapego": estar no mundo, mas não ser do mundo.
2. Sinais Internos: Um amor profundo pelas nações e um coração que se quebranta pelos perdidos (Romanos 10:14-15). Muitas vezes, esse chamado vem acompanhado de um sentimento de inadequação, pois o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza (2 Coríntios 12:9).
3. Sinais Externos: O chamado é validado pela igreja. Como no caso de Barnabé e Saulo, a comunidade e os líderes maduros reconhecem e separam o vocacionado (Atos 13:2-3). Deus alinha o chamado com os dons e oportunidades que Ele mesmo abre (1 Coríntios 12:4-6).
III. Liderança Segundo o Modelo de Cristo
Assim como os levitas foram designados para tarefas religiosas por defenderem a honra de Deus, os líderes hoje são chamados a agir in persona Christi (na pessoa de Cristo).
• Liderança de Sacrifício: Ser o primeiro no Reino de Deus significa ser "escravo de todos". O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida (Marcos 10:44-45).
• O Foco do Líder: Ele não confia em sua própria engenhosidade, mas ensina a Palavra, encorajando a conversão e a santidade. O objetivo da liderança é fortalecer a fé, acender a esperança e edificar o Corpo de Cristo.
IV. O Desafio Prático: Discipulado Intencional
"Discípulos são feitos, não nascem discípulos." Discipulado requer esforço deliberado, sacrifício e humildade.
• Além do "Busca-Pessoas": Pesquisas recentes (como a da Willow Creek Church) mostram que movimentos focados apenas em atrair pessoas não são eficazes para criar discípulos maduros.
• O Método de Jesus: É necessário tempo, estudo bíblico profundo, oração fiel e mentoria pessoal. Um discípulo não amadurece apenas com uma hora de culto por semana, mas quando pastores e líderes estão com eles, assim como Jesus estava com os Seus.
Veja tambémConclusão: Uma Visão Global para o Evangelho
A obra missionária é uma batalha nas linhas de frente em território inimigo. É o esforço de multiplicar a Igreja até que cada tribo e nação tenha ouvido a mensagem (Mateus 24:14). Desde os profetas (Zacarias e Malaquias), Deus prometeu que Seu nome seria grande entre as nações, do nascente ao poente (Malaquias 1:11).
Você é um instrumento vivo de Cristo. Seja você um missionário enviado a outras terras ou um discípulo fazendo discípulos em sua vizinhança, o chamado é o mesmo: dedicar suas energias para a glória de Deus e para o progresso da humanidade na vida divina. A colheita é grande e o Senhor da colheita conta com você.
Vá, pregue, ensine e faça discípulos.
Resumo Homilético
Aplicação Prática: Vivendo a Grande Comissão
- Entenda que discipulado é missão contínua
- Jesus não chamou a igreja apenas para converter pessoas, mas para formar discípulos maduros e obedientes.
- Transforme conhecimento bíblico em acompanhamento espiritual
- Fazer discípulos envolve ensino, exemplo e caminhada prática com aqueles que estão crescendo na fé.
- Assuma sua responsabilidade no Reino de Deus
Todo cristão foi chamado para participar da missão de ensinar, servir e anunciar o Evangelho.
Dicas do Professor: Temas
- discipulado cristão bíblico
- Grande Comissão explicada
- formação de discípulos
- liderança cristã ministerial
- crescimento da igreja local
- treinamento de líderes cristãos
- missões e evangelização
- ensino bíblico para igrejas
- desenvolvimento espiritual cristão