Este sermão aborda o tema da história de Acã é um alerta poderoso sobre o impacto do pecado na vida de um indivíduo e na comunidade ao seu redor. O pecado de Acã não foi apenas um ato de desobediência, mas trouxe consequências trágicas para todo o povo de Israel. Hoje, vamos refletir sobre as lições dessa passagem e como podemos aplicar esses ensinamentos às nossas vidas.
Ao estabelecermos o contexto para a nossa reflexão, permitam-me mencionar um papel importante do "Antigo Testamento". Os muitos exemplos encontrados nas escrituras hebraicas são proveitosos, conforme nos ensina o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 10:1ss. Portanto, dedicaremos o nosso estudo de hoje sobre a história de Acã.
O ponto de partida para compreendermos esta mensagem é reconhecer que todos os homens afetam uns aos outros e, em certa medida, somos responsáveis uns pelos outros (cf. Romanos 14:7). Infelizmente, desde o princípio da história humana, o homem tenta fugir dessa realidade. Caim foi o primeiro a refletir o pensamento egoísta de autonomia humana quando perguntou a Deus: "Sou eu o guarda do meu irmão?" (Gênesis 4:9). Mas a Palavra de Deus nos chama a um padrão diferente, fundamentado no amor e no cuidado mútuo, como também vemos em 1 João 3:11, 12.
1. O Pecado Individual e a Culpa Coletiva
O relato de Josué 7 nos apresenta uma aparente contradição que precisa ser analisada com atenção. No caso da conquista de Jericó, Israel havia sido advertido de forma muito clara a não "...tomar da coisa amaldiçoada" (Josué 6:18). Lemos, porém, que esse mandamento havia sido violado.
O texto sagrado nos diz em Josué 7:1: "Mas os filhos de Israel transgrediram com a coisa amaldiçoada; porque Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou da coisa amaldiçoada; e a ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel."
Observem o uso do substantivo e dos pronomes no plural no caso de quem pecou: "Israel", "eles". Sem dúvida, "Israel pecou", conforme o próprio Deus afirma em Josué 7:10-12: "Então o Senhor disse a Josué: Levanta-te! Por que estás deitado assim com o rosto em terra? Israel pecou e transgrediu a minha aliança, que eu lhes ordenei; porque tomaram da coisa amaldiçoada, e furtaram, e dissimularam, e a colocaram entre os seus pertences."
Crime imputado a Israel
Contudo, após uma análise mais detalhada, somos informados de que foi um indivíduo chamado Acã quem pecou (Josué 7:1). A especificidade do pecado de Acã é apresentada quando, ao investigarem Israel a respeito do pecado, Acã foi descoberto e confessou a sua transgressão (Josué 7:7ss).
Haveria aqui uma contradição?
Como o pecado de um só homem pode ser atribuído a toda a nação?
A resposta está no princípio da unidade orgânica do povo de Deus. O crime de Acã é imputado a todo o Israel com base nessa unidade. Assim como se diz que um corpo está doente ou ferido, mesmo que a enfermidade afete apenas um de seus membros, a transgressão de Acã destruiu a integridade moral de toda a nação.
Isso nos lembra de certas maneiras pelas quais uma comunidade pode ser implicada em um erro cometido, na verdade, por apenas um de seus membros. Eles eram então, como os cristãos são agora, a Igreja do Deus vivo. E se um único membro da comunidade violasse as leis que Deus lhes impôs, todo o corpo seria responsabilizado pelo seu pecado, até que se purificasse por um ato público de restituição (ver Deuteronômio 21:1-8).
2. A Anatomia do Pecado: De Eva a Acã
Quando olhamos para a confissão de Acã em Josué 7:21, descobrimos o processo de queda que ocorre no coração humano:
"Quando vi entre os despojos uma bela capa babilônica, duzentos siclos de prata e uma barra de ouro de cinquenta siclos de peso, cobicei-os e os tomei; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata debaixo dela."
Note os passos de Acã: Ele viu e ele cobiçou.
Esse padrão é exatamente o mesmo que encontramos no princípio da humanidade, no pecado de Eva em Gênesis 3:6: "E, vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu..."
O pecado de Eva envolveu ver uma coisa linda e o desejo de vanglória. Ela viu e ela cobiçou. Da mesma forma, Acã viu e cobiçou. O pecado oculto na tenda de um homem trouxe uma terrível consequência para toda a comunidade: a derrota militar diante da cidade de Ai.
Por causa disso, os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos, mas viraram-lhes as costas, porque eram amaldiçoados. Deus foi categórico: "...e eu não estarei mais convosco, a menos que extermineis os amaldiçoados do meio de vós" (Josué 7:12).
Apesar de Acã ter cometido essa transgressão flagrante, toda a nação de Israel foi responsabilizada. Josué prendeu o acusado, e ele e todo o Israel o puniram.
Somente depois de Israel confrontar Acã e o seu pecado é que a nação foi novamente abençoada por Deus. Aqui reside uma lição muito relevante e poderosa para o povo de Deus hoje, uma lição que certamente envolve a nossa unidade.
3. A Responsabilidade Mútua na Igreja do Novo Testamento
Esse princípio de "corpo político" e responsabilidade mútua não ficou restrito ao Antigo Testamento. Uma análise dos ensinamentos de Paulo à igreja de Corinto exemplifica essa mesma ideia.
Embora a igreja de Corinto como um todo não estivesse envolvida na fornicação específica cometida por um de seus membros, ela — como um corpo — ainda foi considerada responsável por tolerar o erro. Paulo escreve em 1 Coríntios 5:1-4:
"É comum ouvirmos falar de imoralidade sexual entre vocês, e imoralidade tal que nem mesmo entre os gentios se vê, que um homem tenha a mulher de seu pai. E vocês estão orgulhosos, e não se lamentaram, para que aquele que praticou tal ato seja tirado do meio de vocês. Pois eu, na verdade, embora ausente no corpo, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que praticou tal ato. Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, quando vocês estiverem reunidos, e o meu espírito, com o poder de nosso Senhor Jesus Cristo..."
E o apóstolo continua orientando a comunidade em 1 Coríntios 5:5 e 2 Tessalonicenses 3:6, dizendo para "...entregar tal pessoa a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus". E traz a famosa analogia no versículo 6 e 7:
"Não convém que a vossa glória seja motivo de orgulho. Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa? Livrai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como sois, de fato, sem fermento. Porque Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado por nós."
O princípio da responsabilidade mútua é observado em toda a Escritura e sua presença é fundamental para muitas verdades e atos necessários:
• O dever de advertir: Somos responsáveis pelos "ímpios" e pelos "justos" que se desviam, e deixar de adverti-los significa incorrer em derramamento de sangue, conforme a séria advertência em Ezequiel 3:17-21. O apóstolo Paulo articulou essa mesma verdade sobre sua própria fidelidade em pregar e advertir (Atos 20:26, 27).
• A tolerância ao mal: No livro do Apocalipse, a igreja de Tiatira é responsabilizada pelo elemento do mal entre eles, e a igreja como um todo é instruída a "arrepender-se" (Apocalipse 2:18-28). O mesmo padrão de exortação e exigência de arrependimento comunitário é visto na carta à igreja de Pérgamo (Apocalipse 2:12-17).
Acã foi julgado pela palavra e pelas suas próprias obras (Josué 7:16ss). Isso nos lembra que cada um de nós também prestará contas, pois seremos julgados por nossas obras (cf. João 12:48; Romanos 2:6). Sabemos que Jesus será o nosso justo Juiz (2 Coríntios 5:10; 2 Timóteo 4:8).
No caso de Israel, assim que Acã foi punido, o mal foi banido do meio do povo e eles puderam seguir em frente, tornando-se vitoriosos na conquista da terra (Josué 7ss.).
Conclusão
Meus irmãos, aprendamos com a história de Acã a natureza da unidade que Deus deseja que caracterize o Seu povo. Estejamos também cientes de que somos responsáveis uns pelos outros e que cada um deve fazer a sua parte para ajudar o próximo e manter a igreja pura.
Existe, em termos gerais, um princípio de fraternidade entre todos os homens que é ensinado nas Escrituras (cf. Atos 17:26 e seguintes). No entanto, essa "responsabilidade mútua", essa consciência moral e essa reciprocidade são claramente intensificadas e observadas na relação que os cristãos devem ter uns com os outros na igreja.
Paulo expressou essa realidade espiritual de forma perfeita e definitiva com as seguintes palavras, que guardamos no coração:
"Assim, nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e cada um de nós, individualmente, é membro de todos os outros" (Romanos 12:5).
Que Deus nos abençoe a vivermos como um corpo verdadeiramente unido e zeloso. Amém.
Acã desobedeceu a uma ordem clara de Deus de não tomar nada do despojo de Jericó. Esse ato de desobediência foi contra Deus e contra toda a nação de Israel. O pecado nunca é apenas individual; ele afeta nossa relação com Deus e com as pessoas ao nosso redor.
Embora Acã tenha escondido os despojos em sua tenda, Deus viu tudo. O pecado pode estar oculto aos olhos humanos, mas nada está escondido do Senhor. Mais cedo ou mais tarde, tudo será revelado.
O pecado de Acã resultou na derrota de Israel diante da pequena cidade de Ai. Isso demonstra que nossas ações individuais têm impacto na comunidade da fé. O pecado causa divisão, derrota e enfraquece o povo de Deus.
Deus instruiu Josué a santificar o povo. Antes de experimentarmos vitória e restauração, é necessário purificar nossas vidas e nosso ambiente. Santidade é essencial para a presença e o favor de Deus.
Josué seguiu as instruções de Deus para identificar o pecado na comunidade. Isso nos ensina a não sermos negligentes em lidar com o pecado, mas buscarmos com diligência aquilo que nos afasta de Deus.
Quando Acã foi confrontado, ele confessou seu pecado. Isso mostra que, mais cedo ou mais tarde, todos terão que enfrentar as consequências de suas ações. É melhor confessarmos e nos arrependermos voluntariamente do que esperar sermos expostos.
Acã confessou que viu, cobiçou e tomou os despojos. Essa sequência de ações revela como o pecado começa no coração. É por isso que devemos vigiar nossos desejos e pensamentos.
O castigo de Acã pode parecer severo, mas Deus é justo e santo. O pecado não pode ser ignorado ou tolerado. Deus estabelece Sua justiça para proteger a santidade de Seu povo e de Sua obra.
Após o julgamento de Acã, Deus afastou Sua ira de Israel. A purificação da comunidade foi necessária para que o povo pudesse seguir em vitória. Isso nos lembra da importância de lidar com o pecado para manter nossa comunhão com Deus.
Embora Deus seja amoroso e misericordioso, Ele não ignora o pecado. Sua misericórdia está disponível para aqueles que se arrependem, mas Ele exige santidade de Seu povo.
A história de Acã nos ensina que o pecado tem consequências sérias, não apenas para nós, mas para aqueles ao nosso redor. Deus nos chama à santidade, ao arrependimento e à obediência. Hoje, é o momento de examinarmos nossos corações, confessarmos nossos pecados e buscarmos a santidade, para que possamos desfrutar da plena comunhão com Deus.
Se há algo oculto em sua vida que precisa ser tratado, traga isso diante de Deus em arrependimento. Ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça (1 João 1:9). Vamos nos comprometer a viver uma vida santa e consagrada ao Senhor, impactando positivamente nossa família, nossa igreja e o mundo ao nosso redor.
Senhor, obrigado por Tua palavra, que nos alerta sobre as consequências do pecado. Ajuda-nos a viver em santidade, confessando nossos pecados e buscando Tua graça. Que possamos ser luz em nossa comunidade e viver de maneira que Te agrade. Em nome de Jesus, amém.